Competir no espaço figital não é exclusividade das grandes empresas, mas é preciso uma estratégia sólida para diminuir riscos que podem até mesmo levar o empreendimento à falência

Não faz muito, em meados dos anos 90, a internet comercial começava a se popularizar. Em um debate sobre vendas online, quando o e-commerce no Brasil ainda engatinhava, o dono de uma sapataria no Recife disse que jamais entraria para o negócio virtual. O argumento era que os clientes jamais comprariam calçados sem experimentá-los ou poder trocá-los. Corte seco para 2022: o setor da moda movimentou quase R$ 1 bilhão em vendas pela internet. E, contrariando as previsões do lojista no século passado, o serviço de logística para garantir a entrega e até mesmo a troca do item, em muitos casos, se tornou mais barato que a manutenção de uma loja física.

A história, real, serve para ilustrar o impacto da inovação nos negócios e a necessidade de se antecipar a tendências. Muitos pequenos e médios empreendedores acreditam que a transformação digital não é para eles e que o ambiente virtual já está ocupado pelos gigantes. Não é bem assim.

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: UM BREVE HISTÓRICO 

O primeiro sinal da transformação digital surgiu em 1995, quando a internet começou a alterar o comportamento das pessoas em relação ao mercado. O digital first plantava ali uma semente que viria a se desenvolver paulatinamente nos anos seguintes com usuários redesenhando seus processos para o mundo figital face a oferta de smartphones e posteriormente com a popularização da nuvem na última década, que zerou o custo de hardware e consequentemente a necessidade de grande capital para criação de novos serviços digitais. 

O ponto em que nos encontramos é o da confirmação de uma tendência irreversível percebida nas últimas duas décadas, a de que tudo será figital: mercados, empresas, times, pessoas, cidades, países, governos. Se 2010 é um marco da primeira grande transformação digital, 2020 tem tudo para ser a segunda – e última – dos negócios, com a consolidação desse ambiente figital – em que o mundo físico é expandido pelo digital e orquestrado pelo social.

A TOMADA DE DECISÃO EM TEMPO REAL

A transformação digital é uma necessidade desde 2017, ano em que os smartphones completaram dez anos e passaram a informatizar as pessoas na palma da mão. Através deles, os negócios passaram a capturar e enriquecer dados capazes de identificar padrões de comportamento, onde o usuário mora, se estão viajando, quais suas marcas favoritas. 

Logo as grandes empresas perceberam que era imprescindível investir em plataformas digitais, cultura de dados e ferramentas tecnológicas para tomada de decisão em tempo [quase] real. Desde então nada mais ficou pronto. Tudo está em construção, sendo aprimorado incrementalmente.

Os aplicativos são atualizados o tempo todo na medida em que são descobertas novas formas de fazer algo, atraindo mais pessoas e gerando uma taxa de conversão maior. O redesenho contínuo das conexões em rede geram experiências diferentes que capturam a imaginação das pessoas.

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL CABE NO BOLSO DO PEQUENO NEGÓCIO?

Apesar das tecnologias ocuparem um lugar importante no modelo de negócio digital, é possível criar alta performance capaz de acompanhar as dinâmicas do mercado com investimentos razoáveis. Plataformas online permitem que pequenas e médias empresas reduzam custos de transação e sejam capazes de criar efeitos de rede diretos e indiretos, aumentando bases de clientes e o alcance, superando lacunas de habilidades dependentes de tamanho, além de abrir espaço para oportunidades de inovação. 

É verdade que os grandes empreendimentos têm recursos para criar as próprias plataformas, mas as organizações menores podem se tornar usuárias de plataformas de terceiros e usufruir daquilo que é criado para todos. 

O IMPACTO DAS PLATAFORMAS FIGITAIS NOS PEQUENOS NEGÓCIOS

Evidências indicam que quanto menor a empresa, maior o impacto no nível de produtividade promovido pelo uso de plataformas, pois elas habilitam redes e expandem o negócio. 

O uso de plataformas, porém, traz alguns desafios. Se por um lado ela tem o potencial de aumentar a performance, por outro ela demanda competências, habilidades, recursos e conhecimento a respeito da sua concorrência. Modelos de negócios inadequados para mercados em redes podem colocar em risco o negócio, além de trazer riscos de segurança digital e proteção de dados, para os quais há legislação específica. 

DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O PEQUENO NEGÓCIO

Os pequenos negócios já competem em ecossistemas: realizam marketing, serviço ao cliente e comunicação através de grandes buscadores; e-commerce e logística por meio de marketplaces; utilizam agregadores de oferta e demanda como os aplicativos de delivery, apenas para citar os exemplos mais comuns. Apesar de ocuparem esse espaço, infelizmente ainda há muito ruído.

Segundo dados da OCDE, o Brasil é o país com maior número de pequenas empresas utilizando redes sociais. Mas, quando observamos o volume de transações realizadas, vamos para a vigésima posição. Ou seja, interagimos demais nas redes, mas não contamos com estratégias de conversão na proporção do nosso investimento em presença digital. 

Fonte: OECD (2020[54]), OECD ICT Access and Usage by Businesses Database, http://oe.cd/bus (accessed on 19 September 2020).
Fonte: OECD (2019[19]), Unpacking E-commerce: Business Models, Trends and Policies, OECD Publishing, Paris, https://dx.doi.org/10.1787/23561431-en, based on OECD (2020[54]), OECD ICT Access and Usage by Businesses Database, http://oe.cd/bus.

Algumas pequenas lições que podem ser levadas em consideração pelos donos de pequenos e médios negócios:

  • As pessoas participam o tempo todo de conexões, de relacionamentos, de interações. Diante da grande quantidade de informação, desejamos realizar transações com facilidade, sem que seja necessário procurar novamente diferentes fornecedores. Se toda vez que um cliente desejar um produto ou serviço precisa, ele inicia uma busca do zero, para os padrões digitais o negócio é anônimo. Crie uma relação de confiança através da experiência com o cliente para que ele mantenha com o negócio uma relação duradoura, permanente, mesmo após a venda.
  • Tudo e todos estão em todo lugar. O potencial de um pequeno negócio pode estar em sua capilaridade, ocupando espaços e oferecendo serviços onde as grandes empresas não alcançam.
  • Grandes negócios já protagonizam enormes disputas. Estude o mercado e procure oferecer o que ninguém (ou quase ninguém) está oferecendo. Ideias inovadoras, das mais simples às mais sofisticadas, existem. Pode ser um e-commerce de artigos de segunda mão, arranjos desidratados, ou óculos de grau para jovens.
  • Preocupe-se com toda a jornada do cliente em sua plataforma. Cada acesso é uma interação e uma experiência ruim pode custar a realização de uma transação.
  • Colete, analise dados e confie na intuição. CRM sozinho não será capaz de formular e responder perguntas necessárias para conhecer profundamente o cliente e oferecer a ele uma experiência única.
  • Considere o e-commerce hiperlocal como uma possibilidade.
  • Crie conteúdos para engajar, ser descoberto e provocar a ação das pessoas. Tornar referência no segmento que ocupa impacta na confiança.
  • Incentive o retorno. No mundo figital, a compra do produto ou aquisição do serviço não significa o fim da relação do seu negócio com o cliente. O uso faz parte da compra e é importante que as pessoas continuem comentando sobre o valor que o negócio entrega a ela.  

MAIS IMPORTANTE QUE A TECNOLOGIA: A ESTRATÉGIA PARA A INOVAÇÃO

Inovação é, primordialmente, a mudança de comportamento no mercado. Adotar uma nova mentalidade capaz de mobilizar todos os colaboradores e fomentar uma cultura organizacional alinhada às aspirações do negócio é mais importante do que adotar novas tecnologias.

A pandemia demonstrou isso com clareza. Nenhuma tecnologia especial foi inventada, mas em dois anos a aceleração digital foi de pelo menos meia década. Os dados nos levam a concluir que não foram as ferramentas as principais responsáveis pela mudança, e sim o comportamento das pessoas, que, impactadas pela supressão de parte do espaço físico, passaram a utilizar com mais frequência o espaço digital para transações, trabalho, aprendizagem e socialização.

Qualquer negócio, seja ele pequeno, médio ou grande, precisa entender que todo processo de transformação digital demanda estratégia. É necessário saber o que se sabe, e, mais importante, saber o que não se sabe para, então, ser capaz de fazer as perguntas corretas e, através das respostas, entender o que as pessoas querem para poder atendê-las.

Trata-se de um processo de descoberta: cria-se cenários, personas, hipóteses sobre como resolver os problemas para garantir a competitividade. Envolve experimentação. 

A TDS COMPANY E A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL DO SEU NEGÓCIO

A TDS conta com um time de habilitadores de robusto capital intelectual responsável pela aplicação de uma metodologia exclusiva criada com base nas experiências práticas e teóricas do cientista-chefe Silvio Meira e do cientista associado André Neves. Muito mais que uma consultoria tradicional, nossos times de especialistas conduzem as pessoas do negócio em uma trilha colaborativa construída através de conceitos de business design e estratégia.

Planejamos e executamos a gestão da inovação estratégica para garantir alta performance e um ciclo contínuo de evolução enquanto nossos clientes se concentram no core business de suas empresas para o mercado atual.

Nosso objetivo é habilitar seu negócio para o futuro digital sem fórmulas prontas. Queremos uma experiência personalizada. Única. Especial. Desenhada por você e para você com nossa ajuda. Ao fim, esperamos que o seu time seja capaz de reconhecer as oportunidades inovadoras disponíveis e possa transformar as aspirações do negócio em realidade.