O trabalho mudou e muito desde a chegada da internet, mas foi agora, no último ano, que a mudança se tornou mais evidente. A pandemia acelerou a mudança do trabalho como conhecíamos de físico para figital. Trabalho remoto é apenas uma das facetas deste movimento e contexto, quase só a cobertura sintática de uma transformação semântica que resultou em uma mudança pragmática nos mercados.

O trabalho figital passa por ciclos completos minimamente definidos pela combinação criar + desenvolver + operar, cada um e todos gradualmente associados a níveis mais elevados de demanda por experiência, qualidade, performance, segurança e outros.

Nesse documento vamos discutir estes três principais agrupamentos de métodos que fazem parte dessa nova forma de trabalhar, muito além das salas de videoconferência.

o trabalho e a criação

métodos de design partitipativo

No espaço-tempo das coisas conectadas é difícil imaginar decisões sendo tomadas de maneira isolada no trabalho. Pessoas, conectadas, em redes de pessoas, aprenderam a tomar decisões em fóruns síncronos e assíncronos de debates, nas redes, com outras pessoas, mediadas por plataformas digitais, online e em tempo quase real.

Tomar decisões de maneira participativa, colaborativa, é provavelmente uma das principais mudanças semânticas no trabalho figital. É preciso aprender novos métodos de trabalho que estimulam e orquestram esse processo. Contribuir para as jornadas criativas nos negócios é muito mais do que deixar uma opinião em uma caixinha de ideias. Não é só porque ideias, per se, não são criatividade; é que criatividade, apenas e isolada, não resolve os problemas que, nos negócios, dependem de criatividade.

O design participativo envolve todo um conjunto de métodos, ferramentas e princípios que orientam essa construção colaborativa de pessoas, nos negócios, ou no entorno deles, dos quais o negócio e seu ecossistema dependem para sua sustentabilidade.

O trabalho de criação no mundo figital é, quase que naturalmente, participativo, construído a partir de uma mídia digital, fluida, flexível, uma escrita que se aproxima da dinâmica da oralidade e permite trocas dialógicas o tempo todo, em debates síncronos onde todos se encontram no tempo, ou em debates assíncronos, onde cada um, no seu tempo, dá conta de contribuir em um processo contínuo de cocriação.

o trabalho e o desenvolvimento

métodos de desenvolvimento incremental

O digital é programável, mutante, se deixa modificar, e, no limite, a partir de mecanismos de inteligência artificial modifica a si próprio, se adaptar a diferentes experiências de uso, a novas demandas das pessoas, das coisas e do contexto ao seu redor.

Produzir no mundo figital é entender que nada estará pronto de imediato nem para sempre. Produtos e serviços, pelo menos a parte digital deles, evoluem no tempo, o tempo todo, a partir das diferentes experiências das pessoas, em rede. Para isso, os métodos de desenvolvimento se adaptaram ao objeto de trabalho, evoluindo com ele.

Desenvolver sistemas figitais demanda processos incrementais, faseados, onde cada ciclo é completo no seu tempo, no estado de maturidade das experiências tratadas até então. Não há produto figital finalizado; tudo o que é útil está em eterna construção e não faz sentido publicar um produto somente quando estiver pronto, pois seria assumir que se sabe tudo do seu uso a priori, o que nunca acontece de fato. Todos os artefatos figitais evoluem, o tempo todo, no seu contexto original e em outros, até que venha o meteoro.

O trabalho no mundo figital é marcado pelo caráter mutante, flexível, em construção. As experiências digitais fizeram as pessoas aprenderam a agir de forma incremental, em especial quando sua ação resulta em um produto ou serviço digital, mas não somente os exclusivamente digitais: agora, o físico é quase sempre acrescido pelo digital; mesmo que não em sua totalidade, é também programável, mutante, em contexto fluido, sempre.

o trabalho e a operação

métodos de operação ágil

As pessoas, em redes de pessoas e nas redes digitais ,demandam, no trabalho figital, métodos de operação com a velocidade e flexibilidade do contexto digital. Não cabem métodos presos, endurecidos e sistemas altamente hierarquizados de controle.

As metodologias ágeis, nasceram para dar conta de processos de desenvolvimento de software, que têm características dinâmicas, não determinísticas e não lineares e já se disseminaram, para o espaço físico e para todo tipo de projetos.

No trabalho figital a gestão do tempo e das ações das pessoas precisou se adaptar para dar conta da flexibilidade imposta pelo aparato digital que sustenta o trabalho remoto, distribuído no espaço e no tempo, síncrono e/ou assíncrono.

Métodos ágeis [tradicionais] como scrum e kanban estão se adaptando a esse novo formato de trabalhar, com ferramentas digitais que ativam possibilidades impensáveis quando o trabalho era realizado e monitorado em espaços físicos apenas. O espaço é agora tão fluido quanto o tempo, pelo menos em grande parte do trabalho figital.

Conhecer, aprender, aplicar e ajudar a redefinir métodos ágeis de trabalho não é uma opção no futuro figital, é condição essencial para existir sobreviver nele.

Este texto foi escrito pelos professores Silvio Meira e André Neves.

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