O futuro não acontece de repente, todo de uma vez. O futuro é criado, paulatinamente, por sinais vindos de lá mesmo, do futuro, por caminhos que vêm de lá, e não que passam por aqui, pelo presente, vindos do passado e vão daqui pra lá, pro futuro. O futuro vem do futuro. Quando conseguimos interpretar os sinais do futuro no presente, nos contextos dos nossos presentes, que se vão, como os anos, cada vez mais rapidamente, conseguimos descortinar as tendências irreversíveis que estão aparecendo, no presente, vindas do futuro.

Luciano Floridi teoriza que estamos construindo uma infosfera, o conjunto de todos os documentos [qualquer “objeto” capaz de reter informação], agentes [qualquer “objeto” capaz de efetuar operações sobre informação] e todas as ações que podem ser realizadas por agentes sobre documentos [ou sobre outros agentes]. A infosfera de Floridi inclui toda informação do universo, todos os suportes capazes de armazená-la e todos os agentes e as ações por eles realizáveis sobre qualquer tipo de informação, em qualquer tempo e lugar. Não só a informação digital ou armazenada em meios que nos parecem digitais, mas toda a informação, em tudo. O que implica, claro, que organismos vivos como nós somos ao mesmo tempo documentos e agentes na infosfera. Assim como uma inteligência artificial. O que nos diferencia de uma IA, por sinal? Esse é um dos sinais do futuro que vamos deixar para um próximo texto.

Floridi estava construindo a ideia da infosfera uma década depois de Manuel Castells [em A Era da Informação] escrever que viveríamos cada vez mais num mundo de fluxos, por causa das redes e das conexões, relacionamentos e interações que elas possibilitam. Segundo ele, tudo seria [ou poderia via a ser] codificado em termos de …sequências de trocas e interações propositais, repetitivas e programáveis realizadas por atores sociais [pessoas, instituições, coisas,…] situados em posições fisicamente disjuntas, sobre as estruturas econômicas, políticas e simbólicas da sociedade.

Castells e Floridi não estavam escrevendo sobre mundos que não estavam vendo há 25, 15 anos; mas sobre uma rede que viam nascer e suas amplas consequências, que também estamos vendo agora, especialmente depois de COVID19. A aceleração digital causada pela pandemia não veio de nenhuma nova tecnologia; até porque nenhuma tecnologia especial surgiu nos últimos meses. Mas nunca aprendemos tanto, sobre tanta tecnologia, suas possibilidades e usos tão rapidamente, por motivos tão claros. E foi em escala global, com bilhões de pessoas em casa tentando fazer as mesmas coisas, ao mesmo tempo. Algo verdadeiramente único da história da humanidade, até aqui.

A demanda por habilidades digitais já era imensa; de repente, tornou-se maior, mais complexa e mais urgente. Nunca se criou conhecimento tão rápido, num certo modo ABC: Aprendizado Baseado no Caos. O caos não é “o” método, claro; foi a licença para aprender do seu jeito, no seu contexto [ou negócio], até porque cada um estava tentando aprender no seu. O aprendizado continua [e muita coisa não tem volta] e as dinâmicas das transações mudam, como vimos claramente no caso do consumo, mas a mudança é bem mais ampla e afeta muito mais, na verdade quase tudo, e muda, também, em todas as redes de valor, não só a configuração, mas a composição de fornecedores, parceiros, colaboradores.

Se olhássemos para o futuro… para tentar entender que mudanças parecem ser permanentes, até para reagir a elas, em termos de adaptação, evolução e transformação -ou até, quem sabe, de oposição…- o que será que já dá para perceber sobre o futuro, agora?

Uma tendência irreversível de pelo menos duas décadas e que agora se tornou óbvia e acelerada é que tudo será FIGITAL: mercados, empresas, times, pessoas [e cidades, países, governos…] estão na transição do FÍSICO [ou analógico] para uma articulação [feita por todos] do FÍsico, que passa a ser habilitado, aumentado e estendido pelo diGITal, ambos orquestrados no espaço sociAL, em tempo [quase] real[1]. Uma parte significativa dos comportamentos de todos os agentes do mercado, de trabalhadores a clientes, deixou de começar, ou de se realizar mais intensamente, na dimensão física desse espaço e passou a se iniciar, quase sempre, no domínio digital.

Para a vasta maioria das empresas, e se os eixos do espaço tridimensional na figura abaixo representassem performance, é como sair da estratégia e execução física [ponto f] por melhor que seja, para o mundo bem mais sofisticado e complexo da combinação de físico, digital e social [ponto F], por um caminho que sabemos que não é trivial, porque já há muitas empresas legadas que já fizeram pelo menos parte da trajetória… e não foi nem um caminho trivial nem tampouco um aprendizado simples e linear.

Nesta transição, as empresas têm que fazer reflexões profundas sobre seus modelos de negócios. Um modelo de negócios é [parcialmente] o conjunto de respostas à pergunta… quem paga o que, para quem, para fazer o quê para quem, quando, onde, como e por quê?… e isso dinamicamente, em tempo real.

Em condições normais de temperatura e pressão, para qualquer novo ou antigo negócio, as respostas a estas perguntas podem estar certas, erradas, indefinidas ou mudando. E, nas transições -como agora, as respostas estão quase sempre erradas, indefinidas ou mudando… sem falar que as perguntas são difusas, incompletas e emergem do contexto ao redor e, como se não bastassem, o “ao redor” é muitas vezes o mundo. Todo. O desafio de transformação digital -ou, mais apropriadamente, figital-, que já estava na pauta pelo menos desde o começo da década, se tornou urgente em quase todos os mercados.

Por outro lado, não é um urgente -agora- para algo que apareceu ontem. As empresas vêm introduzindo TICs [tecnologias da informação e comunicação] para cuidar de facetas de suas performances há pelo menos 50 anos. Os primeiros computadores instalados no Brasil datam do fim da década de 1950 e começo da década de 1960, mas só nos anos 1970 o “processamento de dados” passou a fazer parte da infraestrutura de todas as empresas de médio porte e maiores.

Até os anos 2000, 2010 [e até agora, em muitos negócios] a falta de imaginação e capacidade de repensar os processos e serviços fez as instituições partirem para a digitalização de serviços analógicos que, pura e simplesmente, abstraem processos que usam há tempos, criando “analógicos digitais”. Em suma, eram os mesmos e velhos processos, só que agora automatizados, por uma galera “de TI”, que nunca teve poder, no negócio, para fazer nada mais do que atender as demandas do centro da organização… e passava a maior parte do tempo entre legados que tinham que ser mantidos e especificações para sistemas que já nasciam legados. Um inferno. Só que essa forma de fazer as coisas até que funcionava quando informática era da porta da empresa para dentro, até o começo da internet, ali na metade da década de 1990.

Quando os usuários começaram a redesenhar seus processos para o mundo figital, face a oferta de hardware -smartphones- e software -como serviço, em rede, digital e social-, especialmente de 2010 pra cá… passou a ser imperativo, e não mais alternativa, para as empresas, descobrir algum caminho entre os pontos f e F. É o tempo da transformação digital.

Realizada como deve ser, transformação digital não é só mais um jargão de consultoria, mas um caminho sem volta, baseado em inovação digital e transformação estratégica, em direção a plataformas de negócios digitais que habilitam os ecossistemas coopetitivos que vamos ver, em todos os mercados, da próxima década pra frente, conectando negócios de todos os tamanhos e suas redes de valor. E com os clientes, internos e externos, no centro das preocupações, desenhando, de fato [e de direito] as aplicações de seu interesse.

Mas se é certo que os negócios estão migrando para um mundo figital, temos que levar em conta que empresas são abstrações; na verdade, são redes de pessoas mobilizadas por um conjunto de fatores que vão de “preciso pagar meus boletos” até um ideal de “estou aqui para mudar o mundo”. Entender ondecomo e para quem as pessoas vão trabalhar pode ser de fundamental importância para descobrir -inclusive- como serão as empresas do mundo figital.

E se há uma certeza sobre as mudanças causadas por COVID19 é que o trabalho [de conhecimento, antes dos outros…] já terá sido muito modificado. Exemplo? Regras sobre lugar, escala, formas de trabalhar… serão -e já são, em muitas empresas- muito mais flexíveis. Por outro lado, não é muito difícil imaginar um cenário de realização de trabalho habilitado por plataformas digitais baseadas em inteligência artificial em todos os níveis do negócio, com até tarefas do nível C sendo realizadas por algoritmos. É um pouco mais difícil pensar que cada negócio seria um mercado de trabalho, especialmente aqui no Brasil, face à grande complicação das relações trabalhistas. Mas isso só quer dizer que muito provavelmente o mundo -ou parte dele- dará saltos, não necessariamente para o futuro, mas para o presente, e nós ficaremos no passado. Vamos ver. Tomara que não.

Se pudéssemos sumarizar tal conjunto de sinais mais fracos do que a mudança dos negócios para um mundo figital, mas ainda assim fortes o suficiente para apontar para uma segunda tendência irreversível que já pode ser notada agora, pode-se dizer que o trabalho -principalmente o simbólico- será híbrido[2].

A começar pelo óbvio, o lugar, que agora está decididamente no espaço figital, o que possibilita a realização do trabalho numa combinação de formas concretas e abstratas: num local físico, o velho e bom escritório, na rede… digitaldistribuído e na fusão dos dois, num modo híbrido. Haverá gente no escritório… mas haverá gente que nunca irá lá. Será parte do contrato, até. E quem estiver no escritório quase sempre estará na rede, no modo abstrato, vez por outra. Ou quase todo mundo que está vendo isso está enganado… ou o escritório nunca mais será o mesmo.

Algo me diz que vamos sair de 5% [mais ou menos] do trabalho sendo realizado remotamente [o que não quer dizer distribuído…], com suporte digital, para alguma coisa entre 10 a 15% depois deste ano de pandemia. No auge do isolamento social, 41% do trabalho estava no modo remoto no Brasil, o maior experimento de deslocalização de trabalho de sempre, aqui. As consequências, de performance a carreira, não são triviais e já começam a aparecer agora.

Noutra dimensão, o trabalho já é, e cada vez mais será, realizado por trabalhadores humanos –analógicos, pois- e agentes digitais, criando performances híbridas, com os segundos assumindo parte das competências, habilidades e responsabilidades dos primeiros, e não necessariamente, especialmente no futuro mais remoto, sob o controle de humanos. Trabalho pode ser descrito como uma combinação de padrões [de ação, que podem ser descobertos em grandes volumes de dados que registrem o comportamento de humanos] associados a aprendizado [realizado por alguma faceta de inteligência artificial] e implementado por robótica [algum tipo de automação, móvel, também]. Esta equação já afeta todo trabalho do planeta e deslocará 15% do emprego, no Brasil, em 15 anos. Trabalho será muito mais modificado do ponto de vista da execução -ou performance– do que do lugar onde é realizado e as empresas ainda não estão pensando muito neste problema.

O Estado, com “E”, muito menos, e isso não é bom; segundo Peter Poschen, ex-diretor da OIT no Brasil, “A segunda metade do século XX, em alguns países, foi um período excepcional em termos de distribuição de renda, de um mercado de trabalho formalizado, estruturado, com negociação coletiva, altas taxas de organização tanto de empregadores quanto de trabalhadores. Historicamente, isto não é o típico.” É exatamente este “típico”que se esvai agora, por múltiplos fatores, digitais inclusive.

Vamos ter problemas, e grandes, pois já deveríamos estar preparando as pessoas para o trabalho do futuro agora e, ao contrário, ainda estamos protegendo trabalhos do passado, como cobrador de ônibus. Tecnologia destrói e cria trabalho, e o trabalho novo estará quase sempre fora do setor onde se destrói trabalho velho. Proteger trabalho e emprego é perder oportunidades; deve-se proteger -evoluindo- o trabalhador. Estamos muito atrasados, nisso.

Por fim, há claros sinais de que muitos contratos do futuro provavelmente serão entre um trabalhador e mais de uma empresa, e isso já acontece agora, especialmente -de novo- no trabalho de simbólico, de conhecimento. Não é incomum, e isso não começou ontem, trabalhadores em TICs [por exemplo] com um trabalho e um contrato principal [digamos… CLT, no caso brasileiro] e trabalharem pontualmente para resolver problemas de outras empresas aqui e ali, às vezes com o conhecimento e autorização do seu principal contratante. Mas, em casos, há quem finge que se dedica integralmente a quem paga seu salário… que finge acreditar que é isso mesmo que está acontecendo e todos ficam contentes. Estes arranjos contratuais se tornarão cada vez mais comuns, até o ponto em que, para um grande número das funções no negócio, a empresa poderá vir a ser um mercado de trabalho, excetuando-se, certamente, as competências nucleares para sua existência.

A transição do quadrante local + analógica + único -onde está o ponto h– para o quadrante distribuído digital + múltiplos, do ponto H, já começou. E pode estar diretamente relacionado à sobrevivência das empresas que, como já dissemos, são abstrações… definidas pelas suas redes de pessoas. Nos mercados onde a escassez de capital humano for o caso e os trabalhadores puderem escolher… é muito provável que as escolhas sejam por empregos bem mais perto de H do que de h. Muito mais figitais do que analógicos… novos tempos, digitais, para o trabalho.

Um sinal destes novos tempos do trabalho cada vez mais digital é dado pela pesquisa HBR/Freshworks 2020, onde 66% dos trabalhadores diz esperar que aspectos repetitivos do trabalho sejam realizados por software ou máquinas no futuro próximo e, para patrões desavisados, um recado: 77% dos bons colaboradores procurariam um novo emprego se no atual não houvesse tecnologia e informação para realização apropriada do seu trabalho[3]. A performance e qualidade da dimensão digital do espaço figital já passou a ser um imperativo de sobrevivência para os negócios, que na economia do conhecimento não competem por clientes, mas por trabalhadores.

E tudo poderia ser acelerado se as relações internacionais fossem mais simples: The Economist estima[4] que a abertura global de fronteiras para o trabalho aumentaria o PIB do planeta em 440 trilhões de reais [quase 60 Brasis…]. Mas mesmo sem tais mudanças no curto prazo, o trabalho já é híbrido no espaço figital: plataformas digitais habilitam um espaço global de trabalho de conhecimento onde o mercado não está limitado pela geografia imediata do trabalhador. À medida que mais gente descubra o que tem que aprender para trabalhar -de fato- no mundo, mais trabalho será híbrido, se não houver uma grande marcha-ré e não fecharmos as fronteiras digitais, também. Mas essa, até aqui, não é uma tendência irreversível. Ainda bem.

É impressionante como tantos já viram THE SOCIAL DILEMMA, o filme da NETFLIX sobre redes sociais e seus impactos nas pessoas, grupos, famílias e na sociedade em geral. Mas é bom levar em conta que o problema das redes sociais não cabe num filme[1] e que propaganda, bullying e desinformação são problemas bem mais complicados que o filme mostra[2]. As redes sociais e seus algoritmos de recomendação não estão isentas da responsabilidade por alguns dos ambientes mais ácidos que há na internet. Mas não podem ser confundidas com a REDE e, em parte, é o que o filme faz[3], de certa forma desinformando e, aí, sofrendo do mesmo problema das redes.

As redes sociais que usamos no ocidente [Facebook, Instagram, YouTube…] são uma criação de um certo tipo de investimento de risco, aliado a uma visão de mundo onde poucas grandes empresas vencem a disputa pelo mundo em rede e não sobra nada para ninguém. De muitas formas, o capital criou e encontrou o trabalho para tal[4], dentro e fora das empresas: empreendedores, colaboradores e influenciadores criaram um universo, ao redor da atenção digital, que tem pouca relação com qualquer coisa que existia antes das redes.

Remover Facebook do smartphone e apagar contas nas redes sociais não é solução e não acontecerá em escala [dito isto, abandonei Facebook há tempos]. O que precisamos tratar é o conjunto de problemas associados à isenção, transparência e responsabilização de algoritmos e da regulação de certos mercados em rede, e disso pouca gente fala – ou quer falar.

Há uma questão essencial sobre algoritmos de recomendação em redes sociais e outras plataformas digitais: há, neles, papel editorial, escolhendo o que se lê, vê, consome? Se esse é o caso, a plataforma digital em questão deve ser tratada com as mesmas regras de sistemas editoriais como jornais e TV[5]. Em Facebook, este é o caso e não há como -ao contrário de Twitter- o usuário fazer com que não seja.

Para resolver pelo menos uma parte dos problemas apontados no filme, seria necessário discutir uma ética para mediação de qualquer coisa, inclusive interações humanas em redes sociais. Claro que isso não pode ser só uma lista de regras, muito menos para que seja útil como base para uma necessária engenharia de ALGORITMOS, que estão se tornando a BASE dos processos de tomada de decisão em sociedades da informação[6]. O espectro de preocupações aí envolvido é muito mais amplo do que o apresentado no filme, que por sinal, nos é trazido por uma plataforma de mídia digital que usa… e depende de algoritmos de recomendação para ordenar as ofertas de conteúdo aos seus usuários.

Esta mesma classe de algoritmos que recomenda filmes está tomando outras e bem mais graves e profundas decisões sobre as pessoas. No judiciário, por exemplo, decidindo qual é o risco que um cidadão representa[7]. Será que é justo? Depende, de muita coisa, inclusive do sistema social onde ocorre. Mas uma coisa é certa: sem nenhuma transparência que dê ao processo uma razoável possibilidade de ser explicado e sem qualquer mecanismo de responsabilização de algoritmos, não é justo[8], nem está certo.

Estamos vivendo apenas o início de uma era onde código -executável, não o impresso em livros, nas bibliotecas- define contextos, escolhe opções, modifica comportamentos e cria problemas que eram ficção até poucos anos. Seria muito bom se aprendêssemos, com os casos que já temos, a refletir sobre o futuro da sociedade da informação e seus regramentos, sem a pressa e falta de cuidado que vimos, recentemente, na discussão sobre a Lei das “fakenews” no Congresso Nacional. Esta, sim, uma ocasião que um bom algoritmo de recomendação, lá do futuro, não mostrará a ninguém que queira aprender como leis deveriam ser discutidas.

[1] A Whistleblower Says Facebook Ignored Global Political Manipulation, BuzzFeed, SET/2020, bit.ly/3ciQ3bW.

[2] Telling people to delete Facebook won’t fix the internet, The Verge, SET/2020, bit.ly/2FSad04.

[3] What ‘The Social Dilemma’ misunderstands about social networks, The Verge, SET/2020, bit.ly/3kyTttN.

[4] The Stanford alum behind Netflix’s “The Social Dilemma” wants you to stop scrolling, THE SIX FIFTY, SET/2020, bit.ly/2FUi0KY.

[5] Radical ideas spread through social media. Are the algorithms to blame? NOVA PBS, MAR/2020, to.pbs.org/3mPeJ0z.

[6] The Ethics of Algorithms: Mapping the Debate. Mittelstadt, BD, et al., CSEeJ, 2016, bit.ly/2D0R9It.

[7] Report on Algorithmic Risk Assessment Tools in the U.S. Criminal Justice System, PAI, 2020:bit.ly/3clbdGa.

[8] An Algorithm That Grants Freedom, or Takes It Away, NYT, FEV/2020, nyti.ms/2vbVE25.

Créditos da imagem: Exposure Labs/Netflix