Está lá escrito na tela do seu smartphone e também na do seu notebook: fevereiro de 2021. Mas isso é só uma formalidade. Desde o ano passado, já estamos em 2025, caminhando em ritmo acelerado rumo a 2026 e 2027 está logo ali na esquina. Não, nosso calendário não enlouqueceu. Esse time-lapse da vida real é mais um efeito colateral da pandemia. E o cientista-chefe da TDS.cpmpany, Silvio Meira, explica direitinho. E, como você verá, isso não está sendo ruim.

Ele observa que a aceleração causada pela pandemia do covid-19 é de pelo menos meia década, com quase a totalidade dos líderes em todo o mundo sentindo, na prática, que seus negócios estão sendo severamente afetados pela transformação digital nos seus mercados.

Silvio Meira defende que esse grande passo para a humanidade vem, em quase todos os sentidos, da mudança de comportamento das pessoas. “A supressão do espaço físico, as vezes por meses durante a pandemia, catalisou todo o aprendizado que estava represado por talvez uma década – porque dava pra viver sem as habilitações digitais no negócio, na casa, no entretenimento… – e tudo aconteceu em meses, ao invés de anos, ou nunca”, diz.

No começo da pandemia, 12,3% das pessoas compravam no e-commerce nos EUA. Em setembro último, eram 41,9%, um crescimento de mais de três vezes; e 83,9% dizem que vão reter todos ou parte dos hábitos mesmo quando a questão do covid-19 se resolver. Figital, o já não tão novo espaço sócio-econômico, com suas três dimensões -física, digital e social– é uma tendência irreversível e base para os novos normais, porque nós, pessoas, nos mudamos prá lá. Mudamos de hábito, por um tempo longo o suficiente para estabelecer novos comportamentos que têm muito mais componentes das dimensões digital e social do que tínhamos antes da pandemia.

E o figital será uma das palavras-chave – e uma das chaves – de 2021. Uma tendência irreversível de pelo menos duas décadas que 2020 tornou óbvia e acelerada é que tudo será FIGITAL: mercados, empresas, times, pessoas [e cidades, países, governos…] estão na transição do FÍSICO [ou analógico] não para o digital, como muitos esperam. “Mas para uma articulação do FÍsico, que passa a ser habilitado, aumentado e estendido pelo diGITal, ambos orquestrados no espaço sociAL, em tempo [quase] real”, acentua.

Ele explica que quando os usuários começaram a mudar para o mundo figital, especialmente de 2010 pra cá… passou a ser imperativo, e não mais alternativa, para as empresas, descobrir algum caminho entre físico e figital. Uma parte significativa dos comportamentos de todos os agentes do mercado, de trabalhadores a clientes, deixou de começar, ou de se realizar mais intensamente, na dimensão física do espaço competitivo e passou a se iniciar, quase sempre, no domínio digital.

Boa parte do comportamento no espaço figital será digital first. E a gente não precisa nem ir para 2025 para capturar as evidências dessa mudança. O salto do e-commerce em todo mundo, avançando meia década na maioria dos países, inclusive no Brasil, é só uma das facetas da mudança de comportamento das pessoas para digital first. Por aqui, dependendo das fontes que se considera, as vendas online cresceram entre 50% e 100% no ano; se ficarmos com a média, vamos para 2025 de novo: antes da pandemia, o e-commerce crescia entre 10% e 15% por ano. E a expectativa é de mais de 20% de crescimento em 2021 – que é 2025 –, fazendo com que 2022 já seja 2027.

Independentemente de os mercados terem dado um salto de cinco anos, segundo ele, muitas – senão quase todas – empresas continuarão em 2021 ou antes. Porque há quem acabou de colocar um e-commerce no ar [com o provedor do serviço se tornando sócio, quando é um varejo de alimentos, por exemplo…] e acha que já fez sua transformação digital. “Nem pensar: e-commerce tem 25 anos de história. Quem acabou de instalar um – e está simplesmente vendendo seu estoque, com um catálogo online, como se fosse na loja física… acabou de chegar em 5 de julho de 1994”, brinca.

Na sua análise, Meira provoca que há muitas empresas achando que… “agora que a pandemia vai passar, bora esquecer essa coisa de digital e trazer os clientes de volta pras lojas”. Vale à pena repetir que dados globais mostram uma aceleração digital de anos nos últimos meses, insiste ele. Vai dar muito certo, mesmo, para quem achar que haverá uma volta ao normal de antes. “Quem acordou para digital em 2020, agora é correr para, ao longo desse 2021, fazer cinco anos ou mais em menos de um e chegar pelo menos em 2000. Lembrando que 2021, claro, é 2025. Faça as contas. Pense no salto”, conclui.