É bem lugar comum, as alegorias e memes equiparando a epidemia da Covid-19 a um novo asteroide; e a nós, humanos, a dinossauros. De fato, os efeitos têm sido devastadores. Na vida das pessoas. Na vida das empresas. Mas aqui, na TDS.company, preferimos trabalhar com outra metáfora. “Um meteoro é um ataque físico; e, no caso do novo coronavírus, a humanidade foi atingida por informação”, defende nosso cientista chefe, Silvio Meira. 

 

Ele explica o porquê: “Um vírus tem um impacto informacional na humanidade. Ele destrói vidas e nos reprograma”, analisa. “Toda vez que o código desse vírus nos atinge, de uma forma de outra, somos modificados por esse código porque estamos no mesmo ambiente informacional e, de mais de uma forma, a invasão que sofremos nos reprograma”, complementa.  “E ao reprogramar as pessoas, esse organismo reprogramou a sociedade inteira, os mercados e absolutamente tudo”, resume.

 

São vários cenários se insinuando a partir de agora. Em alguns países, nos quais as medidas restritivas foram rigorosas e a vacinação avançou mais rapidamente, a vida ensaia um novo normal. Outros estão no meio do caminho e algumas nações estão dando os primeiros passos. Esse conjunto de variáveis terá um impacto decisivo na economia, do microempreendedor individual a grandes corporações.

 

Ironicamente da primeira metáfora, talvez só se aproveite os dinossauros, que são aquelas empresas que ainda não perceberam (ou se recusam a perceber) que muita coisa que estava prevista para daqui a duas décadas, teve que ser antecipada. Mas se persistirem em agir assim, vão acabar também extintas. 

 

Esse novo normal, que ainda não tem data marcada para chegar, é cada vez mais figital: é físico conversando com o digital e ambos sendo orquestrados pelo social, quase que em tempo real. 

 

E nesse contexto, strateegia, da TDS.company, é uma resposta da ciência. Nosso framework acumula quase duas décadas de conhecimento, tanto do mundo acadêmico quanto do corporativo. Estamos ajudando muitas empresas a dar passos seguros em direção a esses processos que foram acelerados em decorrência da pandemia. 

 

No ano passado, todo mundo teve que dar o seu jeito. Mas já faz um tempinho que não se pode mais ficar na base da tentativa e erro. No improviso, sem método e processo para aprender.  Para crescer, daqui para frente, é preciso ter uma estratégia clara. E disso a gente entende

A indústria precisa olhar com mais atenção para o mundo figital. Fábricas figitais agregam serviços aos seus produtos e se colocam como grandes plataformas que articulam ecossistemas cada vez mais baseados em bits e redes de pessoas. A fábrica figital é expandida pelo digital, uma rede de laboratório, consultoria, loja, estendida. Conforme cravaram os professores André Neves e Silvio Meira, cientistas da TDS.company.

Sim, mas no mundo real, quais os segmentos que já engataram um namoro sério com o figital? Noivado, casamento?…

Quem está numa relação estável são as grandes fabricantes de smartphones e tablets. Mas aí é fácil porque a natureza do negócio deles exige isso. Os consumidores são extremamente exigentes. Mesmo os mais apaixonados. Querem respostas rápidas e moldam do design até a forma como são comercializados, pós-venda, suporte, etc. Tudo em (e pela) rede, lógico.

Outro setor que flerta bastante com o figital é a indústria automobilística. Estamos assistindo a transformações significativas no segmento. Sai o propulsor a combustão, entram os híbridos e já na próxima década vamos assistir a uma expansão consolidada de motores elétricos. Além disso, os carros estão cada vez mais conectados e cheio de pacotes tecnológicos. Talvez o que aproxime essa indústria do universo figital seja o conceito de “car as a service”, abandonando-se uma “commoditização” secular. Temperando tudo isso, ainda temos a chegada dos veículos autônomos.
Em tese, tudo que está conectado tem potencial para ser figital. Mas há áreas que esse namoro está em marcha lenta. A indústria de eletrodomésticos, por exemplo. O que temos de aparatos analógicos que poderiam estar conversando… Okay, os assistentes virtuais dialogam com geladeiras, com máquinas de lavar, com a TV e até com as lâmpadas. Mas não é só isso, não é?
Só pra fechar: para quem pensa que só setores com alta tecnologia embarcada podem orbitar o universo figital, ledo engano. Aqui, na TDS.company, temos clientes rodando strateegia com vários perfis: indústria de autopeças, indústria de alimentos e bebidas, fornecedores de insumos para outras indústrias e por aí vai.

O casamento com o figital é um passo extremamente importante. Tudo tem que ser meticulosamente planejado. strateegia foi concebido para isso e tem ajudado muitas empresas pelo mundo nesse processo.
A sua será a próxima!

Fica ligado que em breve teremos mais vagas!

A CESAR.school, em colaboração com a TDS.company, oferece 2 bolsas no Programa de Doutorado Profissional em Engenharia de Software, entrada 2021.1 [características e inscrições no link https://bit.ly/3qVPjQv], para desenvolvimento de pesquisa aplicada nos projetos…

SUPER: arquitetura e engenharia de software para criação de infraestruturas e serviços digitais que habilitam o desenho, construção e operação de aplicações interativas de alta segurança, usabilidade, performance, e resiliência…

E

ENTENDE: inteligência artificial e aprendizado de máquina para análise, entendimento, visualização e previsão de comportamento de grupos construindo conhecimento coletivamente em rede, em tempo quase real.

uma vaga em cada projeto e [o|a]s selecionad[a|o]s, além das disciplinas obrigatórias da CESAR.school, farão seu trabalho prático na TDS.company, sob orientação dos Professores Silvio Meira e André Neves e em colaboração com o time de pesquisadores, engenheiros, designers e especialistas em estratégia digital da TDS.company, tendo a plataforma strateegia.digital como objeto de estudo, experimentação e aplicação dos resultados atingidos. Antes de você se inscrever, vale a pena ler o material que está no link [https://bit.ly/TDSCsat] e entrar na plataforma pra entender mais ou menos o que estamos fazendo por aqui.

A bolsa integral cobrirá 100% das anuidades na CESAR.school e os alunos selecionados farão jus a uma bolsa de doutoramento de acordo com os valores da FAPESP, que poderá ser reajustada acima da norma daquela instituição no decorrer da pós-graduação, dependendo da performance e engajamento nos projetos.

Na inscrição [https://bit.ly/3qVPjQv] para a CESAR.school você deve escolher UM dos projetos desta oportunidade e explicar, em algum detalhe, o porquê.

Os dois projetos exigem que eventuais participantes sejam fluentes em algoritmos e estruturas de dados complexos e em linguagens de programação e ambientes de desenvolvimento de software, sem que necessariamente sejam graduados em computação ou ciências exatas. Se você fez humanas e é coder, capaz desta ser a oportunidade de doutorado da década. A seleção dxs bolsistas levará em conta fatores acadêmicos e proficiência nas habilidades descritas acima.

Visite o link [https://bit.ly/3qVPjQv], entenda a parada, se inscreva e boa sorte!…

 

Está lá escrito na tela do seu smartphone e também na do seu notebook: fevereiro de 2021. Mas isso é só uma formalidade. Desde o ano passado, já estamos em 2025, caminhando em ritmo acelerado rumo a 2026 e 2027 está logo ali na esquina. Não, nosso calendário não enlouqueceu. Esse time-lapse da vida real é mais um efeito colateral da pandemia. E o cientista-chefe da TDS.cpmpany, Silvio Meira, explica direitinho. E, como você verá, isso não está sendo ruim.

Ele observa que a aceleração causada pela pandemia do covid-19 é de pelo menos meia década, com quase a totalidade dos líderes em todo o mundo sentindo, na prática, que seus negócios estão sendo severamente afetados pela transformação digital nos seus mercados.

Silvio Meira defende que esse grande passo para a humanidade vem, em quase todos os sentidos, da mudança de comportamento das pessoas. “A supressão do espaço físico, as vezes por meses durante a pandemia, catalisou todo o aprendizado que estava represado por talvez uma década – porque dava pra viver sem as habilitações digitais no negócio, na casa, no entretenimento… – e tudo aconteceu em meses, ao invés de anos, ou nunca”, diz.

No começo da pandemia, 12,3% das pessoas compravam no e-commerce nos EUA. Em setembro último, eram 41,9%, um crescimento de mais de três vezes; e 83,9% dizem que vão reter todos ou parte dos hábitos mesmo quando a questão do covid-19 se resolver. Figital, o já não tão novo espaço sócio-econômico, com suas três dimensões -física, digital e social– é uma tendência irreversível e base para os novos normais, porque nós, pessoas, nos mudamos prá lá. Mudamos de hábito, por um tempo longo o suficiente para estabelecer novos comportamentos que têm muito mais componentes das dimensões digital e social do que tínhamos antes da pandemia.

E o figital será uma das palavras-chave – e uma das chaves – de 2021. Uma tendência irreversível de pelo menos duas décadas que 2020 tornou óbvia e acelerada é que tudo será FIGITAL: mercados, empresas, times, pessoas [e cidades, países, governos…] estão na transição do FÍSICO [ou analógico] não para o digital, como muitos esperam. “Mas para uma articulação do FÍsico, que passa a ser habilitado, aumentado e estendido pelo diGITal, ambos orquestrados no espaço sociAL, em tempo [quase] real”, acentua.

Ele explica que quando os usuários começaram a mudar para o mundo figital, especialmente de 2010 pra cá… passou a ser imperativo, e não mais alternativa, para as empresas, descobrir algum caminho entre físico e figital. Uma parte significativa dos comportamentos de todos os agentes do mercado, de trabalhadores a clientes, deixou de começar, ou de se realizar mais intensamente, na dimensão física do espaço competitivo e passou a se iniciar, quase sempre, no domínio digital.

Boa parte do comportamento no espaço figital será digital first. E a gente não precisa nem ir para 2025 para capturar as evidências dessa mudança. O salto do e-commerce em todo mundo, avançando meia década na maioria dos países, inclusive no Brasil, é só uma das facetas da mudança de comportamento das pessoas para digital first. Por aqui, dependendo das fontes que se considera, as vendas online cresceram entre 50% e 100% no ano; se ficarmos com a média, vamos para 2025 de novo: antes da pandemia, o e-commerce crescia entre 10% e 15% por ano. E a expectativa é de mais de 20% de crescimento em 2021 – que é 2025 –, fazendo com que 2022 já seja 2027.

Independentemente de os mercados terem dado um salto de cinco anos, segundo ele, muitas – senão quase todas – empresas continuarão em 2021 ou antes. Porque há quem acabou de colocar um e-commerce no ar [com o provedor do serviço se tornando sócio, quando é um varejo de alimentos, por exemplo…] e acha que já fez sua transformação digital. “Nem pensar: e-commerce tem 25 anos de história. Quem acabou de instalar um – e está simplesmente vendendo seu estoque, com um catálogo online, como se fosse na loja física… acabou de chegar em 5 de julho de 1994”, brinca.

Na sua análise, Meira provoca que há muitas empresas achando que… “agora que a pandemia vai passar, bora esquecer essa coisa de digital e trazer os clientes de volta pras lojas”. Vale à pena repetir que dados globais mostram uma aceleração digital de anos nos últimos meses, insiste ele. Vai dar muito certo, mesmo, para quem achar que haverá uma volta ao normal de antes. “Quem acordou para digital em 2020, agora é correr para, ao longo desse 2021, fazer cinco anos ou mais em menos de um e chegar pelo menos em 2000. Lembrando que 2021, claro, é 2025. Faça as contas. Pense no salto”, conclui.

A data é 18 de janeiro de 2021. Cerca de 223 milhões de CPFs, 40 milhões de CNPJs e 104 milhões de registros de veículos de brasileiros estão à venda na Internet. Para piorar, até o momento ainda não se sabe de onde essas informações foram coletadas. Um dos maiores vazamentos de dados da nossa história.

Segurança é parte dos problemas estruturais dos sistemas de informação – e incluído em “sistemas” estão as pessoas e a cultura de gestão da informação dos negócios, alerta o professor Silvio Meira, cientista-chefe da TDS.company. Ele lembra que, no começo de dezembro passado, outro megavazamento já havia ocorrido. “Foram 243 milhões de registros de pacientes [vivos e mortos, com cadastro no SUS ou plano de saúde] que foram expostos online. isso é o brasil inteiro”, contabiliza.

Ele observa que, no cenário atual com a pandemia, segurança da informação se torna ainda mais crítica. Carros, aviões, marca-passos, lâmpadas, casas, escritórios, fábricas, usinas nucleares, redes elétricas, bonecas, babás eletrônicas… Se alguma coisa está ou puder ser conectada, estará na “IoTeRP”, a internet das coisas em risco permanente, diz. Meira detalha que novos métodos, técnicas, sistemas, plataformas, fundamentos teóricos e ferramentas cada vez mais complexas se tornarão parte do arsenal para lidar com ameaças que nunca pensamos que fossem se tornar parte de nosso dia a dia.

Não há como falar em proteção de dados das pessoas sem falar na Lei Geral de Proteção de Dados. Mas para Silvio Meira, segurança da informação é mais um problema de estratégia do que legal. Ele diz que é certo que as multas da LGPD vão chegar às empresas já no começo do próximo semestre. “Mas essa – por incrível que pareça, não deveria ser a principal razão pela qual os negócios de todos os tamanhos e mercados deveriam incluir uma estratégia de informação em suas agendas”, observa.

Silvio Meira sugere aos gestores um “autoexame” para saber se a suas organizações têm um mínimo de controle sobre a informação. Perguntem três coisas para quem é responsável pela gestão dos dados:

Dos dados deveríamos ter, quais temos… e que outros temos que não deveríamos?…
Onde os dados ficam, exatamente, e que sistemas usam que dados e para quê?…
E, finalmente, o que podemos apagar, entre todos os dados que temos?

“Sem respostas a estas três perguntas básicas, não só a sua organização tem um problema radical de segurança de informação, mas ela ainda nem começou a tratar dados, a sério, como criador de valor para o negócio. Se eu fosse você, me preocuparia. Muito”, provoca.

O professor diz que classificar dados como novo petróleo é uma metáfora simplista. “É bem mais complicado. Se formos comparar com fontes brutas de energia, dados seriam o novo urânio: têm que ser minerados, refinados para separar o que se quer do que não serve; têm que atingir massa crítica e serem processados para gerar energia [valor!] e o descarte é um perigo, para o negócio e o ecossistema”, compara. Para ele, ficar com dados que não geram mais energia – valor – é problema garantido, e talvez dos grandes.

Dois mil e vinte e um será, para sempre, o ano do Carnaval que não houve. Quem sentirá na alma são os brincantes para quem Carnaval é mais do que um feriado pagão, para quem é uma celebração da alegria do presente e das tristezas do passado nas ladeiras de Olinda, nos blocos de pau-e-corda nas vielas do Recife Antigo e nos maracatus, alfaias a virar em todo lugar. O Carnaval lava a alma, leva a gente para o novo ano; sem ele, é como se continuássemos no passado, como se 2020 fosse, meio século depois, outro ano que não acabou.

O calendário pode não ter passado para o Carnaval, e em 2022, se der, vamos brincar em dobro. Mas ele se acelerou para os negócios, e muito. Pode até aparecer no calendário que o ano é 2021, mas não: é 2025, ou mais. A aceleração digital causada pela pandemia, de acordo com múltiplas pesquisas, é de pelo menos meia década, com quase a totalidade dos líderes sentindo seus negócios severamente afetados pela transformação digital dos mercados. Esse grande passo para a humanidade vem, em quase todos os sentidos, da mudança de comportamento das pessoas. A supressão do espaço físico, por meses na pandemia, catalisou o aprendizado que estava represado por décadas -porque dava para viver sem as habilitações digitais no negócio, na casa, no entretenimento…- e tudo aconteceu em meses, ao invés de muitos anos.

Estamos em tempos de troca de era, e há uma percepção de que o tempo se tornou mais escasso. Porque o futuro, ao contrário do Carnaval que não veio, chegou sem convite, de repente, num presente que continua vivo, junto com os passados das empresas. E o problema de todos, em todas as instituições é… como criar tempo para o futuro? O desafio dos negócios é seguir seus clientes -se ainda os têm- na velocidade das mudanças. Porque os saltos para o futuro não foram pequenos: ecommerce, por exemplo, levou duas décadas, de 1999 a 2019, para chegar a 6% do varejo brasileiro. Em 2020, foi para 10%, entrando decididamente em categorias que nem apareciam nas estatísticas antes, como mercado.

A aceleração digital é mudança de comportamento, em estado quase puro. Passamos a usar o que já tínhamos e não fazíamos ideia de como usar, porque não precisávamos. A necessidade foi a mãe do aprendizado. Rápido, e em tempo de crise. Bem que uma parte do tempo, nas empresas, podia ser dedicado, estrategicamente, para aprender, sem crises. O ano de 2020 causou um grande número de rupturas, mudando de forma radical o comportamento das pessoas, os mercados e o trabalho, talvez para sempre.

Mas ainda há empresas -na verdade, a maioria- sem entender o que se passou e as mudanças que já vinham acontecendo, que a pandemia acelerou muito. Não é mais digitalização, comprar e instalar tecnologias digitais nos negócios; isso era antes de 2010. A década passada já foi de transformação digital, a combinação de inovação digital com transformação estratégica, que vai se acelerar muito nos anos 2020, exigindo o redesenho das teorias dos negócios e de suas capacidades, para dar conta das rupturas nos mercados, do fim de muitos deles e o surgimento de tantos outros. Var dar muito trabalho, esta década.

No ano do carnaval que não houve, este texto é do dia do frevo, nove de frevereiro. Sabendo a gradação da música-essência de Pernambuco, do mais lento (canção) ao mais agitado (de rua), é a hora dos negócios que ainda não começaram sua transformação botarem seus blocos na rua, ao som de frevos de abafo, coqueiro e ventania, porque ainda há tempo para chegar inteiro no porto digital, se a orquestra estiver naqueles dias e a animação, de carnavais passados. Mas, se você não sabia, se ligue: o Bloco da Saudade não sai na Rua do Futuro.

Uma versão editada deste texto foi publicada no ESTADÃO em 10/02/21.

O primeiro mês do ano começou atropelando – literalmente – muita gente. A surpreendente saída da Ford do mercado brasileiro pegou a todos de surpresa. No final do ano passado, a Mercedes Benz também já havia encerrado as operações no país. Pablo Di Si, presidente da Volkswagen na América Latina, disse numa live para o Valor Econômico que o setor retrocedeu, em 2020, quase duas décadas em termos de vendas e produção.
De fato, não bastasse a queda na produção/vendas em torno de 20% em 2020, o setor convive com desafios enormes como alta carga tributária, a troca de propulsores à combustão por híbridos ou mesmo os totalmente elétricos; a chegada de carros autônomos; mudança na essência do “produto carro” para o “serviço carro”; concorrência acirrada; legislação trabalhista; questões ambientais e assim por diante. Por aqui, enquanto esses entraves puxam o freio de mão do setor, na Europa, a Honda pisa no acelerador e promete disponibilizar seus principais modelos com motor elétrico já no ano que vem. A iniciativa estava prevista para 2030 e depois foi antecipada para 2025. Agora, a previsão é 2022.
Nessa linha, nosso cientista-chefe, professor Silvio Meira, já alertava, no final do ano passado, para alguns impactos que vamos experimentar não só nas montadoras mas na indústria de um modo geral. Para ele, as coisas conectadas, vão mudar a fábrica que terá que lidar com seus produtos como serviços. “A fábrica que só faz produtos e envia para um distribuidor ou direto para um varejista é o passado da fábrica”, sentencia. O futuro da indústria está no espaço físico aumentado pelo digital, orquestrado pelo social e em tempo (quase) real.
A fábrica “figital” sai do prédio analógico e ganha o mundo. Além das coisas, cujas conexões não só entre si mas com a fábrica, são óbvias; as pessoas, de dentro e de fora da indústria começam a ser conectadas em redes e orquestrar essa dinâmica. “Uma das ideias por trás dos modelos de negócios C2M [client-to-manufacturer] é trazer dados dos clientes e a partir daí, gerar insights sobre produtos novos ou atuais”, observa.
Meira defende que mais que “só” conectar produtos, as plataformas digitais da fábrica figital conectam tudo. Têm o potencial de fazer da fábrica o sistema operacional não só dos seus produtos, mas do contexto no qual eles são usados. Mais do que olhar para esse cenário e possibilidades como processo industrial, como é típico no pensamento fabril [especialmente no Brasil], a indústria deveria pensar seriamente em como usar as possibilidades combinadas da internet das coisas e das plataformas digitais para criar, operar, manter e evoluir ecossistemas digitais. E a indústria automotiva não é exceção.
Até porque, segundo ele, a transformação de produtos em serviços é óbvia, como imaginação, mas extremamente complexa como transformação. Só que é, ao mesmo tempo, inevitável como futuro, e de imenso potencial como negócio. Nesta década, o motorista de carros autônomos não é um produto, mas um serviço, com assinatura e pagamento, recorrente, mensal.
Na fábrica figital do carro, há um digital twin do veículo que ela própria dirige, faceta de negócio que vai gerar suas maiores margens, porque o carro, a lata, é só o suporte para performance, para a mobilidade conectada, onde tudo é software. Aliás, tudo é software – como serviço, que cria resultados para os clientes – em todas as fábricas. “Indústrias que não entenderem isso vão ter dificuldade para sobreviver já na primeira metade desta década e, principalmente, depois”, conclui.

Quando se fala em digital first no setor da saúde, muita gente imagina médicos sendo substituídos por sistemas que usam inteligência artificial, algo como o que já vemos, por exemplo, nos escritórios de advocacia.

No entanto, Saúde 5.0 não é sobre tratamentos com supertecnologias. Não é nem sobre cuidados de saúde centrados no paciente, defende nosso cientista-chefe, o professor Silvio Meira. “É sobre bem-estar e envolve parcerias, articulações e redes de longo prazo com as pessoas – enquanto ainda não são pacientes, e depois. Depende muito de tecnologia, mas não é tecnologia, que habilita o trabalho e a ação humana”, explica.

O setor de saúde estima que por causa da Covid-19, mais de dois milhões de consultas digitais tenham sido realizadas só no Brasil no ano passado. Num país de mais de 210 milhões de habitantes, segundo o IBGE, dois milhões de consultas parece pouco, mas não é. Principalmente porque o Congresso autorizou a prática em abril último. E só até quando durar a pandemia e seus efeitos.

Médicos e pacientes, por tudo o que se sabe, fizeram bom uso do modo digital de relacionamento, que de resto já usam para quase tudo. Mas o que foi feito – de digital em 2020 – estava no passado, só veio para o presente por causa da emergência.

Meira alerta que os médicos não serão substituídos por inteligências artificiais, como pensam alguns alarmistas. “Mas os médicos que não usam inteligência artificial serão substituídos pelos que usam”, sentencia. Ele sustenta que é só estudar as mudanças que as inovações causaram no passado e pensar. O professor lamenta que forças desse passado, em especial um certo setor que teme a substituição de médicos por sistemas de informação, estejam trabalhando contra os avanços na telessaúde. O risco é que todo esse futuro promissor fique apenas como uma promessa, uma possibilidade e não se concretize.

E explica porquê:

“Inovação social, em grande escala, depende do espaço regulatório, sempre. No Brasil, os reguladores de muitos mercados são essencialmente analógicos e, a depender deles, continuaremos na idade da pedra digital”.

Então, é preciso superar esses desafios e entender os benefícios que a inovação pode provocar no setor de saúde no Brasil, um país em que esses “saltos tecnológicos e comportamentais” podem literalmente salvar milhares de vida.

A pandemia vem trazendo transformações significativas para empresas, equipes e profissionais.  São desafios enormes e que vão exigir soluções cada vez mais inovadoras tanto para quem sofreu com queda de performance, quanto para aqueles que viram a demanda por seus produtos e serviços explodir.

Ao longo desses últimos meses, muitas soluções foram alcançadas na base da tentativa e erro. No entanto, é consenso que todos os efeitos e impactos da Covid-19 na economia vieram para ficar e não dá mais para improvisar. É nesse contexto que se insere o MiST (Master in Strategy Transformation), desenvolvido pela Cesar School e pela TDS Company.

A proposta do curso é ser uma ferramenta para apoiar profissionais e suas organizações a atuarem de maneira inovadora num mercado no qual as operações físicas e as plataformas digitais e sociais estarão cada vez mais conectadas. Bem-vindos ao “figital”.

O principal diferencial do MiST é base de conhecimento ancorada na plataforma strateegia, da TDS. A empresa acumula nesse framework quase duas décadas de experiência em inovação digital e transformação estratégica. Tem uma carteira de clientes que inclui corporações do mercado mundial de bebidas, grandes empresas nacionais das áreas de comunicação, incorporação imobiliária, varejo de alimentos, beleza, saúde, pesquisas, entre outras.

O MiST foi desenhado para ser uma imersão prática. Será totalmente remoto, em um mapa modular exclusivamente planejado para facilitar o processo de entendimento dos conceitos e estímulo ao debate e ao aprendizado colaborativo. As atividades serão conduzidas por professores/habilitadores com vasto conhecimento de mercado e toda a interação na plataforma será apoiada por monitores.

Uma experiência que será ampliada por debates com convidados em diferentes pontos do processo para promover reflexão crítica a respeito das ações práticas. O curso tem duração de 10 meses.

As aulas começam no próximo dia 27 de janeiro.

Informações e inscrições em:

contatobiz@cesar.school

https://vempra.cesar.school/turma/mist/turma-2021-1

O futuro não acontece de repente, todo de uma vez. O futuro é criado, paulatinamente, por sinais vindos de lá mesmo, do futuro, por caminhos que vêm de lá, e não que passam por aqui, pelo presente, vindos do passado e vão daqui pra lá, pro futuro. O futuro vem do futuro. Quando conseguimos interpretar os sinais do futuro no presente, nos contextos dos nossos presentes, que se vão, como os anos, cada vez mais rapidamente, conseguimos descortinar as tendências irreversíveis que estão aparecendo, no presente, vindas do futuro.

Luciano Floridi teoriza que estamos construindo uma infosfera, o conjunto de todos os documentos [qualquer “objeto” capaz de reter informação], agentes [qualquer “objeto” capaz de efetuar operações sobre informação] e todas as ações que podem ser realizadas por agentes sobre documentos [ou sobre outros agentes]. A infosfera de Floridi inclui toda informação do universo, todos os suportes capazes de armazená-la e todos os agentes e as ações por eles realizáveis sobre qualquer tipo de informação, em qualquer tempo e lugar. Não só a informação digital ou armazenada em meios que nos parecem digitais, mas toda a informação, em tudo. O que implica, claro, que organismos vivos como nós somos ao mesmo tempo documentos e agentes na infosfera. Assim como uma inteligência artificial. O que nos diferencia de uma IA, por sinal? Esse é um dos sinais do futuro que vamos deixar para um próximo texto.

Floridi estava construindo a ideia da infosfera uma década depois de Manuel Castells [em A Era da Informação] escrever que viveríamos cada vez mais num mundo de fluxos, por causa das redes e das conexões, relacionamentos e interações que elas possibilitam. Segundo ele, tudo seria [ou poderia via a ser] codificado em termos de …sequências de trocas e interações propositais, repetitivas e programáveis realizadas por atores sociais [pessoas, instituições, coisas,…] situados em posições fisicamente disjuntas, sobre as estruturas econômicas, políticas e simbólicas da sociedade.

Castells e Floridi não estavam escrevendo sobre mundos que não estavam vendo há 25, 15 anos; mas sobre uma rede que viam nascer e suas amplas consequências, que também estamos vendo agora, especialmente depois de COVID19. A aceleração digital causada pela pandemia não veio de nenhuma nova tecnologia; até porque nenhuma tecnologia especial surgiu nos últimos meses. Mas nunca aprendemos tanto, sobre tanta tecnologia, suas possibilidades e usos tão rapidamente, por motivos tão claros. E foi em escala global, com bilhões de pessoas em casa tentando fazer as mesmas coisas, ao mesmo tempo. Algo verdadeiramente único da história da humanidade, até aqui.

A demanda por habilidades digitais já era imensa; de repente, tornou-se maior, mais complexa e mais urgente. Nunca se criou conhecimento tão rápido, num certo modo ABC: Aprendizado Baseado no Caos. O caos não é “o” método, claro; foi a licença para aprender do seu jeito, no seu contexto [ou negócio], até porque cada um estava tentando aprender no seu. O aprendizado continua [e muita coisa não tem volta] e as dinâmicas das transações mudam, como vimos claramente no caso do consumo, mas a mudança é bem mais ampla e afeta muito mais, na verdade quase tudo, e muda, também, em todas as redes de valor, não só a configuração, mas a composição de fornecedores, parceiros, colaboradores.

Se olhássemos para o futuro… para tentar entender que mudanças parecem ser permanentes, até para reagir a elas, em termos de adaptação, evolução e transformação -ou até, quem sabe, de oposição…- o que será que já dá para perceber sobre o futuro, agora?

Uma tendência irreversível de pelo menos duas décadas e que agora se tornou óbvia e acelerada é que tudo será FIGITAL: mercados, empresas, times, pessoas [e cidades, países, governos…] estão na transição do FÍSICO [ou analógico] para uma articulação [feita por todos] do FÍsico, que passa a ser habilitado, aumentado e estendido pelo diGITal, ambos orquestrados no espaço sociAL, em tempo [quase] real[1]. Uma parte significativa dos comportamentos de todos os agentes do mercado, de trabalhadores a clientes, deixou de começar, ou de se realizar mais intensamente, na dimensão física desse espaço e passou a se iniciar, quase sempre, no domínio digital.

Para a vasta maioria das empresas, e se os eixos do espaço tridimensional na figura abaixo representassem performance, é como sair da estratégia e execução física [ponto f] por melhor que seja, para o mundo bem mais sofisticado e complexo da combinação de físico, digital e social [ponto F], por um caminho que sabemos que não é trivial, porque já há muitas empresas legadas que já fizeram pelo menos parte da trajetória… e não foi nem um caminho trivial nem tampouco um aprendizado simples e linear.

Nesta transição, as empresas têm que fazer reflexões profundas sobre seus modelos de negócios. Um modelo de negócios é [parcialmente] o conjunto de respostas à pergunta… quem paga o que, para quem, para fazer o quê para quem, quando, onde, como e por quê?… e isso dinamicamente, em tempo real.

Em condições normais de temperatura e pressão, para qualquer novo ou antigo negócio, as respostas a estas perguntas podem estar certas, erradas, indefinidas ou mudando. E, nas transições -como agora, as respostas estão quase sempre erradas, indefinidas ou mudando… sem falar que as perguntas são difusas, incompletas e emergem do contexto ao redor e, como se não bastassem, o “ao redor” é muitas vezes o mundo. Todo. O desafio de transformação digital -ou, mais apropriadamente, figital-, que já estava na pauta pelo menos desde o começo da década, se tornou urgente em quase todos os mercados.

Por outro lado, não é um urgente -agora- para algo que apareceu ontem. As empresas vêm introduzindo TICs [tecnologias da informação e comunicação] para cuidar de facetas de suas performances há pelo menos 50 anos. Os primeiros computadores instalados no Brasil datam do fim da década de 1950 e começo da década de 1960, mas só nos anos 1970 o “processamento de dados” passou a fazer parte da infraestrutura de todas as empresas de médio porte e maiores.

Até os anos 2000, 2010 [e até agora, em muitos negócios] a falta de imaginação e capacidade de repensar os processos e serviços fez as instituições partirem para a digitalização de serviços analógicos que, pura e simplesmente, abstraem processos que usam há tempos, criando “analógicos digitais”. Em suma, eram os mesmos e velhos processos, só que agora automatizados, por uma galera “de TI”, que nunca teve poder, no negócio, para fazer nada mais do que atender as demandas do centro da organização… e passava a maior parte do tempo entre legados que tinham que ser mantidos e especificações para sistemas que já nasciam legados. Um inferno. Só que essa forma de fazer as coisas até que funcionava quando informática era da porta da empresa para dentro, até o começo da internet, ali na metade da década de 1990.

Quando os usuários começaram a redesenhar seus processos para o mundo figital, face a oferta de hardware -smartphones- e software -como serviço, em rede, digital e social-, especialmente de 2010 pra cá… passou a ser imperativo, e não mais alternativa, para as empresas, descobrir algum caminho entre os pontos f e F. É o tempo da transformação digital.

Realizada como deve ser, transformação digital não é só mais um jargão de consultoria, mas um caminho sem volta, baseado em inovação digital e transformação estratégica, em direção a plataformas de negócios digitais que habilitam os ecossistemas coopetitivos que vamos ver, em todos os mercados, da próxima década pra frente, conectando negócios de todos os tamanhos e suas redes de valor. E com os clientes, internos e externos, no centro das preocupações, desenhando, de fato [e de direito] as aplicações de seu interesse.

Mas se é certo que os negócios estão migrando para um mundo figital, temos que levar em conta que empresas são abstrações; na verdade, são redes de pessoas mobilizadas por um conjunto de fatores que vão de “preciso pagar meus boletos” até um ideal de “estou aqui para mudar o mundo”. Entender ondecomo e para quem as pessoas vão trabalhar pode ser de fundamental importância para descobrir -inclusive- como serão as empresas do mundo figital.

E se há uma certeza sobre as mudanças causadas por COVID19 é que o trabalho [de conhecimento, antes dos outros…] já terá sido muito modificado. Exemplo? Regras sobre lugar, escala, formas de trabalhar… serão -e já são, em muitas empresas- muito mais flexíveis. Por outro lado, não é muito difícil imaginar um cenário de realização de trabalho habilitado por plataformas digitais baseadas em inteligência artificial em todos os níveis do negócio, com até tarefas do nível C sendo realizadas por algoritmos. É um pouco mais difícil pensar que cada negócio seria um mercado de trabalho, especialmente aqui no Brasil, face à grande complicação das relações trabalhistas. Mas isso só quer dizer que muito provavelmente o mundo -ou parte dele- dará saltos, não necessariamente para o futuro, mas para o presente, e nós ficaremos no passado. Vamos ver. Tomara que não.

Se pudéssemos sumarizar tal conjunto de sinais mais fracos do que a mudança dos negócios para um mundo figital, mas ainda assim fortes o suficiente para apontar para uma segunda tendência irreversível que já pode ser notada agora, pode-se dizer que o trabalho -principalmente o simbólico- será híbrido[2].

A começar pelo óbvio, o lugar, que agora está decididamente no espaço figital, o que possibilita a realização do trabalho numa combinação de formas concretas e abstratas: num local físico, o velho e bom escritório, na rede… digitaldistribuído e na fusão dos dois, num modo híbrido. Haverá gente no escritório… mas haverá gente que nunca irá lá. Será parte do contrato, até. E quem estiver no escritório quase sempre estará na rede, no modo abstrato, vez por outra. Ou quase todo mundo que está vendo isso está enganado… ou o escritório nunca mais será o mesmo.

Algo me diz que vamos sair de 5% [mais ou menos] do trabalho sendo realizado remotamente [o que não quer dizer distribuído…], com suporte digital, para alguma coisa entre 10 a 15% depois deste ano de pandemia. No auge do isolamento social, 41% do trabalho estava no modo remoto no Brasil, o maior experimento de deslocalização de trabalho de sempre, aqui. As consequências, de performance a carreira, não são triviais e já começam a aparecer agora.

Noutra dimensão, o trabalho já é, e cada vez mais será, realizado por trabalhadores humanos –analógicos, pois- e agentes digitais, criando performances híbridas, com os segundos assumindo parte das competências, habilidades e responsabilidades dos primeiros, e não necessariamente, especialmente no futuro mais remoto, sob o controle de humanos. Trabalho pode ser descrito como uma combinação de padrões [de ação, que podem ser descobertos em grandes volumes de dados que registrem o comportamento de humanos] associados a aprendizado [realizado por alguma faceta de inteligência artificial] e implementado por robótica [algum tipo de automação, móvel, também]. Esta equação já afeta todo trabalho do planeta e deslocará 15% do emprego, no Brasil, em 15 anos. Trabalho será muito mais modificado do ponto de vista da execução -ou performance– do que do lugar onde é realizado e as empresas ainda não estão pensando muito neste problema.

O Estado, com “E”, muito menos, e isso não é bom; segundo Peter Poschen, ex-diretor da OIT no Brasil, “A segunda metade do século XX, em alguns países, foi um período excepcional em termos de distribuição de renda, de um mercado de trabalho formalizado, estruturado, com negociação coletiva, altas taxas de organização tanto de empregadores quanto de trabalhadores. Historicamente, isto não é o típico.” É exatamente este “típico”que se esvai agora, por múltiplos fatores, digitais inclusive.

Vamos ter problemas, e grandes, pois já deveríamos estar preparando as pessoas para o trabalho do futuro agora e, ao contrário, ainda estamos protegendo trabalhos do passado, como cobrador de ônibus. Tecnologia destrói e cria trabalho, e o trabalho novo estará quase sempre fora do setor onde se destrói trabalho velho. Proteger trabalho e emprego é perder oportunidades; deve-se proteger -evoluindo- o trabalhador. Estamos muito atrasados, nisso.

Por fim, há claros sinais de que muitos contratos do futuro provavelmente serão entre um trabalhador e mais de uma empresa, e isso já acontece agora, especialmente -de novo- no trabalho de simbólico, de conhecimento. Não é incomum, e isso não começou ontem, trabalhadores em TICs [por exemplo] com um trabalho e um contrato principal [digamos… CLT, no caso brasileiro] e trabalharem pontualmente para resolver problemas de outras empresas aqui e ali, às vezes com o conhecimento e autorização do seu principal contratante. Mas, em casos, há quem finge que se dedica integralmente a quem paga seu salário… que finge acreditar que é isso mesmo que está acontecendo e todos ficam contentes. Estes arranjos contratuais se tornarão cada vez mais comuns, até o ponto em que, para um grande número das funções no negócio, a empresa poderá vir a ser um mercado de trabalho, excetuando-se, certamente, as competências nucleares para sua existência.

A transição do quadrante local + analógica + único -onde está o ponto h– para o quadrante distribuído digital + múltiplos, do ponto H, já começou. E pode estar diretamente relacionado à sobrevivência das empresas que, como já dissemos, são abstrações… definidas pelas suas redes de pessoas. Nos mercados onde a escassez de capital humano for o caso e os trabalhadores puderem escolher… é muito provável que as escolhas sejam por empregos bem mais perto de H do que de h. Muito mais figitais do que analógicos… novos tempos, digitais, para o trabalho.

Um sinal destes novos tempos do trabalho cada vez mais digital é dado pela pesquisa HBR/Freshworks 2020, onde 66% dos trabalhadores diz esperar que aspectos repetitivos do trabalho sejam realizados por software ou máquinas no futuro próximo e, para patrões desavisados, um recado: 77% dos bons colaboradores procurariam um novo emprego se no atual não houvesse tecnologia e informação para realização apropriada do seu trabalho[3]. A performance e qualidade da dimensão digital do espaço figital já passou a ser um imperativo de sobrevivência para os negócios, que na economia do conhecimento não competem por clientes, mas por trabalhadores.

E tudo poderia ser acelerado se as relações internacionais fossem mais simples: The Economist estima[4] que a abertura global de fronteiras para o trabalho aumentaria o PIB do planeta em 440 trilhões de reais [quase 60 Brasis…]. Mas mesmo sem tais mudanças no curto prazo, o trabalho já é híbrido no espaço figital: plataformas digitais habilitam um espaço global de trabalho de conhecimento onde o mercado não está limitado pela geografia imediata do trabalhador. À medida que mais gente descubra o que tem que aprender para trabalhar -de fato- no mundo, mais trabalho será híbrido, se não houver uma grande marcha-ré e não fecharmos as fronteiras digitais, também. Mas essa, até aqui, não é uma tendência irreversível. Ainda bem.