“E se o insight mais preciso sobre como falar a respeito das transformações do século 21 não viesse de um TEDx Talk ou de um programa de MBA, mas das obras de um filósofo nascido há quase 2.500 anos?”. A provocação é da empresária, filósofa e escritora dinamarquesa Pia Lauritzen em artigo publicado na strategy+business sobre a influência do pensamento de Aristóteles.

Em evento recente, onde os participantes discutiam os desafios para a inovação, ela percebeu através das questões apresentadas que cada um deles tinha uma noção diferente do assunto abordado. Lauritzen, então, foi buscar no mestre grego uma solução para problemas como esse, recorrentes em seu trabalho como consultora. 

E encontrou. 

O PENSAMENTO CLÁSSICO E A TRANSFORMAÇÃO NO SÉCULO 21

Citando Ética a Nicômaco e Metafísica, duas das obras mais ilustres do pensamento clássico, a dinamarquesa apontou a distinção que Aristóteles fez entre os domínios do conhecimento – experiência, ciência, sabedoria, e prudência – e que, segundo ela, oferece pilares para um framework capaz compreender o “intervalo confuso da transformação”.

A dinamarquesa define este intervalo como o espaço entre passado e futuro que toda organização atravessa durante seus processos de inovação, demandando das lideranças entendimento sobre os diferentes domínios do conhecimento e habilidade de comunicação para estabelecer as mesmas bases de diálogo com os demais colaboradores para a transformação.

QUESTIONAR PARA CONHECER

A metodologia da empresa de transformação fundada por Lauritzen busca inspirações em fundamentos filosóficos para encontrar soluções. Nas jornadas, os clientes são estimulados a propor questões para as pessoas responsáveis pela inovação em seus respectivos negócios. 

No artigo ela apresenta algumas questões que evidenciam como seus proponentes partem de domínios de saberes distintos e como o caminho para a transformação será mais eficiente se as lideranças souberem como articulá-los. 

Experiência: “Como fazer com que uma organização historicamente avessa ao risco adote metodologias ágeis, que pode ser percebida como uma abordagem mais arriscada de tentativa e erro?”

Ciência: “As metodologias ágeis surgiram no universo do desenvolvimento de software, acabaram se tornando padrão em empresas e equipes de quase todos os setores estão adotando. Por que você acha que houve essa proliferação? Ela faz sentido?”

Sabedoria: “Vejo o nascer de uma nova lógica de liderança, um novo paradigma, uma nova geração de líderes. E o segredo é que eles aplicam a lógica da própria vida à forma como administram as organizações”.

Prudência: “Na minha experiência, o maior obstáculo contra a mudança é estar ocupado. Existe uma grande resistência à folga em nosso planejamento. O tempo de inatividade ainda é considerado ineficaz. Investimos muito em mudança, mas não damos tempo para aprender. Qual é a sua opinião sobre isso?”

Interessante notar como a questão ligada à experiência entende que a companhia precisa adotar agilidade, mas se preocupa menos com o “porquê” e mais com o “como”. A pergunta associada à ciência, por outro lado, foca no “porquê”. As aspas relacionadas à sabedoria sequer aponta para uma pergunta, mas para uma reflexão repleta de termos abstratos. Por fim, o questionamento situado no campo da prudência apresenta uma visão complexa de princípios básicos, sem no entanto elaborar conceitos teóricos.  

ORQUESTRANDO O CONHECIMENTO

Cada um desses domínios fornecem peças que, devidamente montadas, são capazes de montar o quebra-cabeça da transformação. Para tanto, as lideranças precisam compreender a linguagem de cada colaborador e alinhá-las em um diálogo colaborativo inteligível a todos. 

A chave aqui é entender como válidos cada tipo e nível do domínio de conhecimento e orquestrá-los em prol da cultura de transformação e inovação. 

A experiência pode servir como um lembrete de “como” as coisas devem ser feitas e trazer insights sobre transformação oriundos da percepção da história e cultura da companhia; 

A ciência ajuda a criar sistemas para compreender por que as empresas lidam com processos de transformação e será melhor compreendida se os líderes forem capazes de ajustar a comunicação para ser entendida por todos; 

A sabedoria estimula a busca de inspiração fora da própria empresa para combinar diferentes saberes e criar soluções novas, podendo inspirar líderes em grandes decisões; e

A prudência prioriza a percepção obtida através da prática diária e do bom senso, podendo ser uma catalisadora do processo de transformação ao contribuir com insights que dependem menos de teorias, mas são capazes de sintetizar numa linguagem simples a complexidade dos temas.

Infelizmente, ainda há muitos processos de transformação que fracassam porque os líderes não compreendem a importância de reunir todos esses diferentes saberes em uma mesma conversa. Segundo Lauritzen, “nenhum dos quatro domínios de conhecimento existe sem o outro. E os líderes dependem dos quatros para navegar pelo intervalo confuso da transformação”.

Silvio Meira, cientista-chefe da TDS, em seu livro “O que é estratégia?” diz que todo processo de transformação deve focar nas pessoas envolvidas e afetadas, levando em consideração, dentre outras variáveis, o nível de maturidade de conhecimento dos colaboradores. “Empresas nada mais são que abstrações materializadas através de pessoas que se relacionam com outras de várias formas. Reconhecer e valorizar – para citar Aristóteles – a ciência, experiência, sabedoria e prudência que flutuam em diferentes níveis na construção do conhecimento das pessoas, de forma ampla, são tarefas essenciais para as organizações que querem criar futuros. Um eterno lembrete de que mesmo as inovações mais radicais podem buscar sua fundamentação no passado. Desde que, é claro, com inteligência para adaptá-las aos contextos contemporâneos”.

A TDS E O CONHECIMENTO

“A TDS é um negócio de aprendizado. Aqui aprendemos o tempo todo e desaprendemos o tempo todo também. Aprendemos com nós mesmos, com o mercado e com os clientes. Formamos uma rede que tem mais dúvidas que certezas e estamos interessados em descobrir novos problemas e soluções econômicas e sustentáveis”, diz Silvio Meira sobre a filosofia da companhia.

É com essa visão que concebemos nossos produtos e serviços para os negócios que desejam se preparar para os desafios cada vez mais mutáveis neste cenário de aceleração digital em que os mercados se encontram.

São três as linhas de atuação que oferecemos conforme a necessidade em que os negócios se encontram. A tds.innovation é o braço da TDS que orienta sua empresa a criar novos produtos ou serviços para manter sua competitividade sustentável a longo prazo; a tds.growth oferece soluções para maximizar os resultados neste cenário de transição digital; e a tds.academy desenvolve cursos exclusivos e alinhados com as necessidades do mercado para qualificar seu time para os desafios do futuro.